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CAPTULO 29 
COLOCAO  DOS PRONOMES TONOS 
1 I 
r 
COM AS FORMAS VERBAIS FJMTAS 
1) A posio normal dos pronomes tonos  depois do verbo (nclise). Tal fato se d: 
a) Quando o verbo abrir o perodo, ou encetar qualquer das oraes que o compem: 
Ordeno-lhe que saia imediatamente. 
Criei-o, dei-lhe o meu nome, tornei-o um cidado til  sociedade. 
Excetuam-se as ora  es intercaladas -, nas quais os pronomes aparecem tambm antes do verbo (prclise): 
To altos exemplos de nobreza, disse-me o velho diplomata, eram comuns no meu tempo. 
To altos exemplos de nobreza, me disse o velho diplomata, eram comuns no meu tempo. 
Nota: 
Nunca se pospe pronome tono s formas do futuro do presente, nem s do futuro 
do pretrito. 
b) Quando o sujeito - substantivo ou pronome (que no seja de significao negativa) - vier imediatamente antes do verbo, assim nas 
oraes afirmativas como nas interrogativas: 
O combate demorou-se. 
Deus chamou-o para si. 
Desde ento, ele afastou-se de nossa casa. 
Os dois amavam-se desde a infncia? 
Motivos particulares de eufonia ou de nfase podem concorrer para 
a deslocao do pronome. 
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1 1 t T 
Na seguinte frase de Herculano: 
"(...) cada dia lhe desfolha um afeto." - 
parece fora de dvida que a anteposio do pronome se deve ao propsito que teve o escritor de evitar o desagradvel encontro de sons palatais de desfolha-lhe. 
Ea de Queirs, na passagem, que se vai ler, valeu-se de ambas 
as possibilidades que a lngua oferece: 
"- Ah! o Meio conhece-os? - exclamou Pedro. 
- Sim, meu Pedro, o Meio os conhece." 
Na primeira frase, interrogativa, o elemento mais importante , indiscutivelmente, o verbo: o objetivo da pergunta  saber se o Meio conhece algum. J na segunda, 
avulta em relevo psicolgico o termo os, sobre o qual recai todo o interesse da resposta. Da, talvez, a anteposio do pronome. 
Todavia, cumpre reconhecer, com Said Ali, que no h "linha de demarcao rigorosa entre o termo comum e termo enftico. A noo predominante pode atribuir-se s 
vezes tanto ao sujeito como ao predicado ou algum complemento verbal. A colocao do pronome tono depende, em tais casos, to-somente da inteno e maneira de sentir 
da pessoa que fala".* 
c) Nas oraes coordenadas sindticas: 
Eia chegou e perguntou-me logo pelo filho. 
Persegui-o, mas ele fugiu-me. 
Estudam ou divertem-se? 
Em qualquer destes trs casos, pode, contudo (por puro arbtrio, 
ou gosto), ocorrer a anteposio, salvo quando se tratar de incio de 
perodo. 
2)  obrigatria a prclise: 
a) Nas oraes negativas (n&, nem, nunca, ningum, nenhum, nada, jamais, etc.), desde que no haja pausa entre o verbo e as palavras 
de negao: 
 ________- 
* Said Ali, Gramtica secundria da lngua portuguesa, cit., p. 213. - ObservaAo. 
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Nc2o me recuses este favor. 
Ningum nos convencer da tua culpa. 
Nunca se viu tal arrogncia... 
Nada o demoveu do seu propsito. 
No faz a felicidade dos outros, nem se sente feliz ele m 
b) Nas oraes exclamativas, comeadas por palavras exclama bem como nas oraes optativas: 
Quanto sangue se derramou inutilmente! 
Deus o abenoe, meu filho! 
c) Nas oraes interrogativas, comeadas por pronomes ou a hios interrogativos: 
Quem o obrigou a sair? 
Por que te afliges tanto? 
d) Nas oraes subordinadas: 
[Qua,zdt o recebo em minha casa,] fico feliz. E clara e arejada a casa [para onde nos mudamos.] Espero [(que) me atendas sem demora.] 
e) Com advrbios e pronomes indefinidos, sem pausa: 
Aqui se aprende / a defender / a ptria. 
Bem me avisaram / que ele era / um impulsivo. 
Tud se fez / como voc / recomendou. 
Havendo pausa, impe-se a nclise: 
Aqui, / no h preconceitos filosficos; aqui, / no h disti religiosas; aqui, / no h desigualdades raciais; aqui, / estu / e trabalha-se com amor. 
Bem, / luta-se ou no se luta? 
COM AS FORMAS INFINITAS 
INFINITIVO 
1) A regra geral  a nclise: 
Viver  adaptar-se. 
Foi bastante olharem-se e logo se compreenderam. 
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2) , contudo, facultativa a colocao do pronome, quando o infinitivo, na forma nt2o-flexionada, estiver precedido de preposio, ou 
palavra negativa. 
para servir-te 
Estou aqui ou 
para te servir. 
Cno o incomodar 
Meu desejo era ou 
L0 incomod-lo. 
Observao: 
A nclise , todavia, de rigor, se o pronome for o(s) ou a(s), e o infinitivo vier 
regido da preposio a: 
Estou inclinado a perdo-lo. 
Comecei a compreend-la naquele dia. 
Estando o infinitivo na formaflexionada, costuma-se preferir a prclise: 
Perseguia-os a obsesso de se vingarem. 
No nos cansarmos demais - foi a recomendao primeira do mdico. 
GERNDIO 
1) A regra geral , ainda, a nclise: 
Cumprimentou os presentes, retirando-se mudo como entrara. 
O professor entregou o prmio ao filho, abraando-o com emoo. 
2) No obstante, haver pr clise obrigatria, no caso de o gerndio vir precedido: 
a) Da preposio em, 
b) De advrbio (que o modifique diretamente, sem pausa): 
Em se tratando de minorar o sofrimento alheio, podemos contar com a sua colaborao. 
No nos provando essa grave denncia, a testemunha ser processada. 
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COM AS LOCUES VERBAIS * 
AUXILIAR + INFINITIVO: 
H quatro possibilidades: 
a) nclise ao infinitivo: 
O presidente quer falar-lhe ainda hoje. b) Enclise ao auxiliar: 
O presidente quer-lhe falar ainda hoje. c) Prclise ao auxiliar: 
O presidente lhe quer falar ainda hoje. 
d) Prclise ou nclise ao infinitivo precedido de preposio: 
Jamais deixei de ajudar-te. 
ou 
Jamais deixei de te ajudar. 
Comeou a ensinar-lhe portugus. 
ou 
Comeou a lhe ensinar portugus. 
AUXILIAR + GERNDIO: 
So trs as posies: 
a) nclise ao gerndio: 
As visitas foram retirando-se. 
b) Enclise ao auxiliar: 
As visitas foram-se retirando. 
c) Prclise ao auxiliar: 
As visitas se foram retirando. 
AUXILIAR + PARTICPIO: 
a) nclise ao auxiliar: 
Os alunos tinham-se levantado. 
b) Prclise ao auxiliar: 
Os alunos se tinham levantado. 
* Ver o tpico Interposio do pronome gtono'. 
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REPETIO E OMISSO 
DOS PRONOMES TONOS 
"Na coordenao" - diz Epifnio Dias - "os pronomes tonos, quando pospostos ao verbo, repetem-se junto de cada verbo: depois de saudar-me e abraar-me; quando antepostos, 
podem subentender-se do primeiro para o segundo e seguintes: depois de me saudar e abraar."* 
A nfase  que (assim completa Daltro Santos a lio do mestre portugus) "leva, s vezes, a repetir-se o pronome tono anteposto".** 
Eis exemplos das vrias maneiras de dizer: 
A lei deslegitima-se, anula-se e torna-se inexistente. 
A lei se deslegitimiz, anula e torna inexistente. 
A lei se deslegitima, se anula e se torna inexistente. 
INTERPOSIO DO PRONOME TONO 
A interposio do pronome tono nas locues verbais, sem se ligar 
por hfen ao auxiliar,  sintaxe brasileira que se consagrou na lngua 
literria, a partir (ao que parece) do Romantismo: 
"O morcego vem te chupar o sangue." (ALENCAR) 
"(...) estava se distanciando da outra..." (TAUNAY) 
"Vais te perder!" (OLAvo BILAC) 
"E foi nos mostrar um lbum de pintura inglesa..." 
(RACHEL DE QUEIROZ) 
"Estou me afogando..." (DRUMMOND) 
"Como teria se comportado aquela alma de passarinho diante 
do mistrio da morte?" (RACHEL DE QUEIROZ) 
"Vivia sozinho, no quisera se casar." (JOS UNS DO REGO) 
Tal construo no tem agasalho com o pronome o (a, os, as), em razo, decerto, do volume fontico dele, mais reduzido do que o das demais partculas pronominais 
tonas. De fato, no se usa 'estou o esperando', etc. 
* Epifnio Dias, ob. cit., p. 178. 
** DaltroSantos, naAntologia nacional, 26a cd., RiodeJaneiro, FranciscoAlvcs, p. 28, nota 6. 
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